Perder o sinal de um veículo é perder, ainda que temporariamente, a capacidade de acompanhar a entrega, responder a um incidente e manter o cliente informado.
Imagine a cena: são 23h17 e uma carga que deveria ter chegado ao centro de distribuição às 22h deixou de aparecer no sistema de rastreamento há mais de duas horas. O motorista não responde, o dispositivo embarcado está offline e, ao verificar a origem da viagem, a equipe descobre que o link da filial caiu no início da noite – mas nenhum alerta foi gerado e nenhum chamado foi aberto.
Quando a área de TI toma conhecimento, a operação já está mobilizada, o embarcador cobra uma explicação e a direção da transportadora tenta entender o que aconteceu. O problema mais grave, nesse caso, não é apenas a indisponibilidade de um link ou de um dispositivo, mas o tempo em que a empresa operou sem perceber que havia perdido visibilidade sobre uma entrega.
Esse tipo de situação evidencia a importância da gestão de TI para transportadoras, que precisam integrar monitoramento, suporte e governança para identificar falhas rapidamente e evitar que problemas tecnológicos comprometam a continuidade da operação.
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Rastreabilidade não depende apenas do sistema de rastreamento
Manter a rastreabilidade das cargas exige uma gestão de TI para transportadoras que considere todos os recursos tecnológicos envolvidos na operação. Afinal, o transporte rodoviário de cargas brasileiro opera em uma escala gigantesca. Segundo o Anuário TRC 2025 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), foram transportadas cerca de 1,4 bilhão de toneladas em 2025, em uma operação distribuída por milhares de rotas, filiais, pátios, centros de distribuição e pontos de apoio.
| 1,4 BILHÃO
de toneladas transportadas em 2025 |
8.570
ocorrências de roubo de cargas em 2025 |
NÍVEL 2
maturidade digital inicial em Logística |
Fontes: ANTT (Anuário TRC 2025), NTC&Logística e Zoho Workplace 2025.
Para sustentar essa movimentação, as transportadoras dependem de uma cadeia tecnológica cada vez mais ampla:
- rastreadores e sensores embarcados;
- smartphones, tablets e coletores utilizados em campo;
- links de dados das filiais e dos centros de distribuição;
- redes móveis e conexões de terceiros;
- TMS, WMS, aplicativos de entrega e portais de clientes;
- integrações entre sistemas internos, embarcadores e parceiros;
- equipes de suporte capazes de responder rapidamente aos incidentes.
A rastreabilidade percebida pelo cliente é o resultado do funcionamento conjunto de todos esses componentes. Por isso, não basta o TMS estar disponível. Se o dispositivo não transmite, a integração para, o link da filial cai ou o suporte não identifica o incidente, a informação deixa de chegar a quem precisa dela.
| PONTO CENTRAL
Em outras palavras: uma transportadora pode possuir tecnologia de rastreamento e, ainda assim, operar com pontos cegos. |
Onde a visibilidade costuma se perder
A gestão de TI para transportadoras pode se tornar mais complexa à medida que a operação incorpora novos sistemas, dispositivos e fornecedores sem uma visão integrada do ambiente tecnológico.
Em muitas transportadoras, a tecnologia cresceu por necessidade. Um novo sistema foi contratado para atender determinado cliente; um segundo link foi instalado em uma filial; novos dispositivos foram distribuídos aos motoristas; integrações foram criadas para projetos específicos.
Esse crescimento resolve demandas imediatas, mas pode formar um ambiente fragmentado, com fornecedores, ferramentas e níveis de serviço diferentes. Sem uma visão integrada, a TI passa a descobrir os problemas de forma reativa: quando o motorista liga, a operação reclama ou o próprio embarcador percebe a ausência de informação.
Os pontos cegos mais frequentes aparecem quando:
- links de filiais, pátios ou hubs não possuem monitoramento contínuo;
- dispositivos móveis estão fora de uma gestão centralizada;
- alertas existem, mas não geram uma ação estruturada;
- integrações com TMS e WMS falham silenciosamente;
- terceiros de telecomunicações e suporte atuam sem SLA claramente definido;
- não há uma central responsável por correlacionar eventos e coordenar a resposta;
- inventário, histórico de incidentes e documentação técnica estão desatualizados.
O resultado é uma operação com muitos recursos tecnológicos, mas pouca capacidade de enxergar o ambiente de ponta a ponta.
Quando a falha de TI se transforma em risco de negócio
O levantamento anual da NTC&Logística registrou 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, com prejuízo direto estimado em aproximadamente R$ 900 milhões. Ao considerar efeitos indiretos, como seguros, custos operacionais e impactos para a cadeia, o valor pode ultrapassar R$ 1 bilhão.
| LEITURA RESPONSÁVEL DOS DADOS
Esses números não significam que uma falha de TI seja a causa de um roubo de carga. Eles mostram, porém, que as transportadoras atuam em um ambiente no qual tempo, visibilidade e capacidade de resposta são elementos críticos. Quando um veículo sai do radar e ninguém percebe rapidamente, a empresa demora mais para avaliar o cenário, acionar os responsáveis e comunicar o cliente. |
Além da segurança, uma interrupção não gerenciada pode produzir outros impactos:
- atraso na confirmação de coleta ou entrega;
- descumprimento de SLA;
- aumento do tempo de resposta ao embarcador;
- retrabalho das equipes de operação e atendimento;
- decisões tomadas com informações incompletas;
- dificuldade para apurar responsabilidades entre fornecedores;
- perda de confiança do cliente;
- desgaste da imagem da transportadora.
Esses impactos mostram por que a gestão de TI em transportadoras precisa considerar não apenas a disponibilidade dos sistemas, mas também a capacidade de identificar falhas, coordenar o atendimento e reduzir seus efeitos sobre a operação.
Esse desafio se torna ainda mais relevante diante da maturidade digital do setor. A pesquisa Tendências na Transformação Digital do Ambiente de Trabalho 2025, da Zoho, posicionou Logística no Nível 2 inicial de maturidade digital no Brasil, com lacunas relacionadas a segurança da informação, colaboração e integração.
Ao mesmo tempo, a quantidade de dispositivos conectados continua crescendo. Quanto maior a digitalização da frota e da operação, maior também é a necessidade de monitorar, manter e governar os ativos que sustentam essa digitalização.
O caminho para sair da reação e ganhar controle
Melhorar a continuidade da operação não exige, necessariamente, uma grande transformação realizada de uma só vez. O avanço pode ser estruturado em etapas, começando pelos riscos mais críticos e produzindo resultados mensuráveis.
Mapear a cadeia tecnológica da entrega
O primeiro passo é identificar quais tecnologias participam da jornada de uma carga: dispositivos, links, sistemas, integrações, fornecedores e equipes responsáveis.
Esse mapeamento deve responder a perguntas simples, mas decisivas:
- Quais componentes podem interromper a rastreabilidade?
- Como cada falha é detectada?
- Quem recebe o alerta?
- Qual é o procedimento de resposta?
- Existe redundância?
- O SLA é compatível com a criticidade da operação?
Esse levantamento é uma etapa importante na gestão de TI em transportadoras, pois permite relacionar os recursos tecnológicos às necessidades da operação e identificar dependências que podem passar despercebidas no dia a dia.
O diagnóstico permite priorizar investimentos com base no risco real, e não apenas na percepção das áreas.
Implantar monitoramento orientado à operação logística
Um NOC voltado ao setor não deve acompanhar somente servidores e equipamentos de rede. Ele precisa monitorar os elementos que afetam diretamente a continuidade da entrega, como:
- disponibilidade e desempenho dos links das unidades;
- conectividade dos dispositivos críticos;
- funcionamento de serviços e aplicações;
- execução das integrações;
- volume e recorrência de falhas;
- eventos que possam indicar degradação antes da indisponibilidade total.
O valor do monitoramento não está apenas em gerar alertas, mas em transformar eventos técnicos em ações operacionais.
Estruturar a gestão dos dispositivos em campo
Smartphones, tablets, rastreadores e coletores precisam ser tratados como ativos corporativos. Isso inclui inventário, configuração, atualização, segurança, histórico de manutenção e ciclo de vida.
Com gestão centralizada e suporte remoto, torna-se possível corrigir configurações, aplicar políticas e resolver parte relevante dos incidentes sem deslocamento técnico — reduzindo o tempo de indisponibilidade e o custo do atendimento.
Integrar NOC, Service Desk e fornecedores
Detectar uma falha rapidamente é apenas o começo. A empresa também precisa ter um fluxo claro para registrar, classificar, escalar e acompanhar o incidente até a sua solução.
A integração entre monitoramento, Service Desk, equipes internas e prestadores evita que um alerta fique sem responsável. Também cria histórico para identificar causas recorrentes e cobrar o desempenho dos fornecedores com base em evidências.
Medir o que realmente protege a operação
Governança exige indicadores que relacionem o desempenho da TI à continuidade logística. Entre os indicadores que podem ser acompanhados estão:
- disponibilidade dos links por unidade;
- tempo médio para detectar e iniciar o atendimento de uma falha;
- tempo médio de resolução dos incidentes críticos;
- percentual de dispositivos ativos e atualizados;
- quantidade e duração das interrupções de integração;
- reincidência de incidentes por causa, local ou fornecedor;
- cumprimento dos SLAs de atendimento e comunicação;
- número de falhas identificadas proativamente.
Essas informações ajudam a TI a demonstrar o valor do trabalho realizado, justificar investimentos e apresentar aos embarcadores evidências concretas de controle e confiabilidade.
O objetivo não é ter mais tecnologia, mas ter mais controle
Nem sempre a solução está em adicionar novas ferramentas e tecnologias. Para melhorar a gestão de TI em transportadoras, é preciso avaliar a infraestrutura existente, entender onde estão os principais riscos e identificar como os recursos atuais podem trabalhar de forma mais integrada.
Uma TI madura não é aquela em que nunca ocorre uma falha. É aquela que consegue identificar rapidamente, responder de forma coordenada, comunicar com transparência e aprender com cada incidente.
No transporte rodoviário, essa capacidade protege mais do que sistemas. Ela protege rotas, prazos, SLAs, a relação com o embarcador e a reputação construída pela transportadora.
Sua transportadora enxerga a operação antes que o cliente perceba a falha?
A OnSet pode realizar um Diagnóstico de Maturidade de TI para Logística, identificando pontos cegos em monitoramento, gestão de ativos, suporte, integração e governança.
O objetivo é construir uma visão clara do ambiente atual, priorizar os riscos que mais afetam a operação e definir um caminho de evolução compatível com a realidade da empresa.
| PRÓXIMO PASSO
Fale com a OnSet e descubra onde a sua tecnologia ainda pode estar expondo entregas, SLAs e a confiança dos clientes. |


